Em suma, pessoas que sofrem de desequilíbrio ou descontrole emocional apresentam alterações frequentes e inesperadas de humor, além de reações desmedidas a más notícias e acontecimentos inesperados.
O que é o descontrole emocional?

Antes de tudo, é preciso deixar claro que todos nós já passamos por algum momento de descontrole emocional, em que reagimos de forma exagerada a um pequeno imprevisto.
Vamos pensar em um exemplo: você planejou anotar suas tarefas mais importantes em post-its assim que chegasse ao trabalho. No entanto, ao chegar, notou que tinha esquecido os post-its em casa.
A reação mais equilibrada seria procurar uma alternativa, como pedir o material emprestado a um colega ou deixar para anotar tudo no dia seguinte.
Imagine, porém, que esse imprevisto te deixou muito irritado e, como resultado, você passou o dia inteiro de mau humor e acabou sendo rude com seus colegas de trabalho inúmeras vezes. Esse tipo de reação indica o descontrole emocional.
Esse é apenas um exemplo de um pequeno problema que se transformou em um grande estresse por conta do descontrole emocional.
Muitas pessoas passam por esse tipo de situação várias vezes por dia, perdendo o controle de suas emoções a cada imprevisto, por menor que seja.
Descontrole emocional ou traço de personalidade?
Muitas pessoas são conhecidas por sua “personalidade forte”. Essas pessoas costumam ter reações exageradas, são impacientes e encontram motivos para discutir o tempo todo; geralmente, quando estamos perto de uma pessoa assim, acabamos sentindo receio de dizer qualquer coisa, porque tudo pode ser um motivo para explodirem.
É comum que essas pessoas acreditem que essa irritabilidade é apenas um traço de personalidade, sem perceber que sofrem de descontrole emocional. Dessa forma, não reconhecem o problema e não procuram ajuda, aceitando que essa característica não é mutável.
Em alguns casos, essa personalidade forte indica transtornos de personalidade e de humor que nunca foram tratados. Eles trazem malefícios para a própria pessoa, que sofre com o descontrole e sente muita culpa, bem como para seus amigos, colegas e familiares, que estão sempre receosos, temendo o comportamento agressivo.

O que causa o descontrole emocional?
Muitos fatores podem nos levar a perder o controle de nossas emoções. O desequilíbrio emocional pode ter uma causa específica, como uma sobrecarga no trabalho, o fim de um relacionamento ou algum desentendimento familiar.
É frequentemente causado por diversos fatores acumulados, que geram estressee levam ao descontrole. Ou, ainda, pode estar relacionado à forma como a pessoa foi criada, incentivado pelo comportamento de seus familiares e outras pessoas que a cercam.
Nesse último caso, podemos pensar em alguém que convive com uma pessoa desequilibrada que está em uma posição de poder. Por exemplo, uma mãe que sofre de descontrole emocional sempre irá descontar sua frustração e raiva nos filhos.
Como resultado, os filhos precisam lidar com uma sobrecarga de sentimentos negativos, o que os leva ao descontrole emocional.
Quais são os sintomas do descontrole emocional?

Pessoas desequilibradas emocionalmente geralmente notam os seguintes sintomas.
Dificuldade de concentração
Por estar lidando com sentimentos conflitantes, pode ser difícil se concentrar nas tarefas de casa, do trabalho e da escola/faculdade. Nesse sentido, a desatenção pode levar à improdutividade, o que gera cobranças por parte dos superiores.
Dessa forma, os níveis de ansiedade se elevam, e a pessoa se torna ainda mais improdutiva. Por isso é preciso cuidar da saúde mental antes que a situação se torne uma bola de neve.
Sintomas físicos
Como resultado a sobrecarga emocional, podem aparecer sintomas físicos. Essa é uma forma do seu corpo te avisar que a sua mente precisa de cuidados. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, dores musculares e problemas gastrointestinais.
Esses sintomas são somáticos; portanto, é comum que a pessoa procure médicos e não consiga descobrir uma causa orgânica para esses problemas.
Dificuldades para dormir
É comum que essas pessoas passem noites em claro, refletindo sobre seus problemas ou remoendo situações e emoções negativas. Costumam ser muito ansiosas, pensando em muitas coisas o tempo todo, e por isso não conseguem dormir mesmo quando estão cansadas.
Irritabilidade
Como vimos anteriormente, quem sofre de desequilíbrio emocional age de maneira exagerada a imprevistos. Essa reação é, geralmente, agressiva; tudo vira motivo para discussões, a pessoa se exalta facilmente e trata os outros com rispidez.
Essas pessoas podem apresentar uma convivência difícil no ambiente de trabalho, puxar briga no trânsito e ter desentendimentos com a família e/ou companheiros, bem como brigar com os filhos sem motivo.
Será que você sofre de desequilíbrio emocional?
Antes de tudo, é essencial reconhecer o problema. Vamos fazer um exercício juntos?
Você vai precisar refletir sobre algumas questões; pode ser interessante anotar as respostas em um papel ou nas notas do celular, para analisar posteriormente.
Faça uma autorreflexão:
- Será que as suas reações, ultimamente, condizem com o tamanho dos seus problemas?
- Você tem se sentido emocionalmente cansado ou esgotado mentalmente?
- Tem descontado isso nas pessoas que te cercam ou em atitudes no dia a dia?
Depois de pensar sobre isso, é importante analisar a origem do problema:
- Tem relação com o seu trabalho, com o seu relacionamento ou com a sua família?
- Será que é uma junção de dificuldades em todas as áreas da sua vida?
- Ou, ainda, esse comportamento é antigo e te acompanha desde a infância/adolescência, indicando uma questão mais profunda?

Quais são as 5 dicas para superar o descontrole emocional?
Se você conseguiu reconhecer o problema, já deu o primeiro passo para resolvê-lo! Todavia, é preciso seguir em frente e continuar se esforçando para melhorar a sua qualidade de vida e a daqueles que o cercam.
Separamos 5 dicas que podem te ajudar a lidar com o descontrole emocional:
1- Corte o mal pela raiz
Em primeiro lugar, se você já reconheceu a origem do desequilíbrio, pense em soluções viáveis. A sobrecarga profissional é um grande causador de descontrole, e às vezes pode ser resolvida conversando com seus colegas e superiores.
Da mesma forma, se o problema for relacionado a uma questão familiar ou de relacionamento, reflita sobre as atitudes que podem ser tomadas – conversar com o causador do desequilíbrio ou, se for o caso, cortar relações.
2- Respire fundo
Sempre que se sentir à beira de uma explosão, tente se afastar da situação. Muitas vezes a sua primeira reação é a mais negativa; assim, vale a pena tirar um tempo para respirar e lidar com a questão mais tarde, quando estiver mais tranquilo.
Se a questão for urgente, no entanto, pense: “não vale a pena me estressar; isso só vai trazer prejuízos para a minha saúde” e repita como um mantra até que você consiga se acalmar.
Em desentendimentos familiares, por exemplo, a reação agressiva pode te fazer magoar as pessoas que mais ama, te levando perder a confiança delas para sempre; uma alternativa é recorrer à terapia familiar.
3- Lembre-se que o seu descontrole não te define
Muitas vezes o desequilíbrio emocional é causado por situações que estão fora do seu controle (trabalho, família, perdas, traumas…).
Portanto, não se culpe em excesso nem deixe de praticar o autocuidado. Você precisa assumir a responsabilidade sobre suas emoções, mas isso não significa que você precisa se enxergar como alguém ruim ou que não é digno de afeto.
4- Busque manter a autoconfiança
Estar passando por um momento difícil pode te fazer pensar em si mesmo de forma negativa.
Tente lembrar que o seu problema emocional não define a sua capacidade; você ainda tem as mesmas habilidades e continua sendo um bom profissional, apesar dos momentos ruins.
5- Procure ajuda profissional
É muito difícil voltar à rotina e deixar o descontrole para trás sozinho. Principalmente porque esse desequilíbrio pode ter origem em questões mais profundas, que precisam ser analisadas com cuidado.
Como identificar gatilhos emocionais antes que o descontrole aconteça?
Identificar gatilhos emocionais antes que o descontrole aconteça significa aprender a reconhecer sinais internos que aparecem antes de uma reação intensa. Esses gatilhos são situações, palavras ou comportamentos que ativam emoções profundas como:
- raiva;
- medo;
- insegurança;
- tristeza.
Quando a pessoa começa a perceber esses sinais com antecedência, torna-se mais fácil interromper o ciclo de reação impulsiva.
Muitas vezes o descontrole emocional parece surgir de forma repentina, mas na realidade ele costuma ser precedido por pequenas mudanças internas.
Por exemplo, o corpo pode começar a ficar mais tenso, a respiração pode acelerar ou a mente pode iniciar um diálogo interno negativo. Esses sinais funcionam como alertas de que algo emocionalmente sensível foi ativado.
O que são gatilhos emocionais?
Gatilhos emocionais são estímulos que despertam reações emocionais intensas porque estão associados a experiências marcantes do passado.
Esses estímulos podem ser palavras, comportamentos, expressões faciais ou até determinadas situações que lembram experiências anteriores.
Por exemplo, uma pessoa que já se sentiu constantemente criticada pode reagir de forma intensa a comentários aparentemente simples. Mesmo quando a intenção do outro não é ofensiva, o cérebro interpreta a situação como uma ameaça emocional.
Como perceber sinais de alerta antes da reação emocional?
Perceber sinais de alerta exige desenvolver consciência sobre as próprias emoções e reações físicas.
Muitas vezes o corpo envia sinais claros antes do descontrole emocional, mas esses sinais passam despercebidos quando a pessoa está muito envolvida na situação.
Por exemplo, alguém pode perceber que começa a falar mais rápido, elevar o tom de voz ou sentir tensão nos ombros durante uma discussão. Esses sinais indicam que o sistema emocional está entrando em estado de alerta.
Descontrole emocional no relacionamento: por que brigamos por coisas pequenas?
Brigas por coisas aparentemente pequenas acontecem porque muitos conflitos não estão relacionados apenas ao momento presente.
Muitas vezes a discussão é apenas a ponta de um iceberg emocional que envolve frustrações acumuladas, expectativas não expressas ou feridas antigas.
Por exemplo, uma discussão pode começar por causa de uma tarefa doméstica esquecida. Entretanto, por trás desse evento simples pode existir um sentimento mais profundo de falta de reconhecimento ou de sobrecarga emocional. Assim, o que parece ser um problema pequeno acaba ativando emoções mais profundas.
Como emoções acumuladas influenciam conflitos no relacionamento?
Emoções acumuladas influenciam conflitos porque sentimentos não expressos tendem a se intensificar ao longo do tempo. Quando pequenas irritações ou frustrações são ignoradas repetidamente, elas podem se transformar em ressentimento.
Por exemplo, alguém pode sentir que sempre precisa assumir determinadas responsabilidades dentro da relação. No início, esse incômodo pode parecer pequeno e não ser verbalizado. Entretanto, após várias situações semelhantes, a frustração começa a crescer.
Por que o parceiro ativa emoções tão intensas?
O parceiro costuma ativar emoções intensas porque o relacionamento envolve:
- proximidade emocional;
- confiança;
- expectativas profundas.
Diferentemente de interações superficiais, relações íntimas tocam aspectos importantes da identidade e da autoestima.
Por exemplo, uma crítica feita por um colega de trabalho pode ser esquecida rapidamente. Entretanto, uma crítica semelhante feita por um parceiro pode provocar dor emocional mais intensa, pois envolve a percepção de aceitação dentro da relação.
Como evitar que pequenas discussões se tornem grandes conflitos?
Evitar que pequenas discussões se tornem grandes conflitos exige desenvolver habilidades de comunicação emocional e autorregulação.
Quando a pessoa aprende a reconhecer o próprio estado emocional, torna-se mais fácil interromper reações impulsivas antes que a discussão se intensifique.
Por exemplo, durante uma conversa difícil, pode ser útil fazer uma pausa breve para reorganizar pensamentos. Essa pausa permite que as emoções diminuam de intensidade e abre espaço para uma comunicação mais clara e respeitosa.
Qual é o papel da autorregulação emocional nos relacionamentos?
A autorregulação emocional desempenha um papel essencial nos relacionamentos porque permite que a pessoa responda às situações de forma mais consciente e menos impulsiva.
Quando alguém aprende a reconhecer emoções intensas, torna-se possível escolher como reagir em vez de simplesmente agir por impulso.
Esse processo não significa ignorar sentimentos ou evitar conflitos. Pelo contrário, envolve reconhecer emoções legítimas e encontrar formas saudáveis de expressá-las. Assim, o diálogo se torna mais construtivo e menos dominado por reações defensivas.
A psicoterapia pode te ajudar!
Muitas pessoas procuram um psicoterapeuta apenas quando estão passando por um momento difícil, de muita exaustão emocional.
Porém, como citamos, o descontrole emocional pode ser visto como um traço de personalidade, uma característica pessoal que não pode ser mudada. Assim, muitas vezes o problema persiste sem ser tratado, o que traz muitos prejuízos a todas as áreas da vida.
Assim que você notar o descontrole emocional, é importante procurar ajuda na psicoterapia. O psicoterapeuta irá te ajudar a desenvolver a inteligência emocional; dessa forma, você será mais capaz de lidar com emoções intensas, gerenciar crises com mais facilidade e se comunicar de forma mais assertiva.
Com pequenas mudanças de hábitos, você aos poucos voltará a ter controle sobre suas emoções. Logo, você sentirá o impacto na rotina e as pessoas que te cercam também notarão o seu progresso!
Se você sente que está passando por um momento de desequilíbrio emocional, a Psicotér pode te ajudar a superá-lo! Agende sua AVALIAÇÃO GRATUITA com uma das psicólogas da nossa equipe.

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Lisiane Duarte – CRP 07/12563
Psicóloga e Diretora Técnica da Psicotér
Texto por: Netuno – redatora da Equipe Psicotér


Uma resposta
Muito bom esse artigo, esclarecedor. Obrigada.