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Educar com Autoridade

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A educação dos filhos, e o modo como ela é aplicada, é extremamente importante para o desenvolvimento ao longo da vida; definirá muito do caráter na fase adulta.

Embora não exista um manual que explique como ser “bons pais”, há critérios gerais válidos para a criação. Um deles é a autoridade que os pais precisam exercer dentro das suas funções parentais. 

Imagem descrição - pai e filhoO conceito de autoridade mudou com o passar do tempo. Antigamente ela era exercida de outra forma. Em geral, o filho obedecia porque simplesmente tinha que fazê-lo, sem compreender o porquê. Era um modelo de autoritarismo baseado no castigo, em que se respeitava por temor as consequências (por exemplo punições corporais). Já na atualidade, vem ocorrendo um movimento contrário, a falta de limites. A sociedade contemporânea enfrenta uma crise na autoridade, em que muitos pais/responsáveis não conseguem exercer a autoridade que lhes é própria pela hierarquia dentro da dinâmica familiar.

Impor limites exige um esforço importante dos adultos. Alguns pais, exaustos com as atividades diárias, como o trabalho, cedem as vontades dos filhos. Também, o medo de serem rejeitados os leva, muitas vezes, à permissividade exagerada. Esse medo tem como base a ideia de que uma criança seria feliz “sem limites”.

É comprovado que crianças que satisfazem livremente as suas vontades e desejos não serão felizes. Viverão constantemente angustiadas, não encontrando nenhum impedimento que a proteja de si mesma e do mundo exterior. É esperado que crianças desobedeçam os limites, mas, inconscientemente, essa recusa esconde a procura deles.

Por isso, a autoridade é uma prova de amor, não de desamor. Um dos principais desafios aos pais é encontrar o equilíbrio e educar com autoridade, e não autoritarismo. Estes são conceitos muito diferentes. Enquanto o primeiro pode ser entendido como o poder de impor limites necessários para a convivência em sociedade; o segundo é um exagero desse poder, realizado pela imposição de ideias sem possibilidade de contraposição.

São os limites que dão estabilidade ao ser humano, a falta deles poderá gerar consequências na construção da personalidade, formando pessoas ansiosas, frustradas e inseguras. Exemplos são usar os outros segundo a sua conveniência, não assumir responsabilidades, pensar que o dinheiro pode resolver tudo… Em casos mais extremos, poderão demonstrar comportamentos de riscos, como abusos de drogas.

Ao sustentarem a autoridade, os pais propiciam que, um dia, seus filhos possam exercer o mesmo papel, transmitindo o valor da responsabilidade e do compromisso. A autoridade está fortemente ligada à transmissão de uma geração a outra e, por isso, é o canal em que se transmite os valores.

A dificuldades em pôr limites pode ter origem em questões transgeracionais relacionadas a história dos genitores. É preciso então, que superem as suas próprias resistências internas para uma atuação com a convicção de que essa autoridade é legítima, tendo firmeza e constância.

Muitos pais acabam não exercendo a autoridade também pelo medo de estarem sendo muito agressivos com os filhos. Esse medo, no entanto, é perigoso, pois proporciona aos pais uma imagem negativa da sua agressividade, de forma que a inibem totalmente. Contudo, é importante lembrarmos que todos somos humanos, e muitas vezes pais sentirão raiva dos seus filhos. Esse sentimento é legítimo, e, quando demonstrado de forma saudável, a criança compreenderá que seus pais são como ela, sensíveis a todos tipos de sentimentos.

Para ensinar sobre respeito, é preciso que seja mútuo entre os pais e os filhos. O diálogo é uma peça chave. Por exemplo, analisando em conjunto o porquê das normas (contudo, também fazendo-os entender que não são negociáveis). É importante que os cuidadores exerçam a autoridade com afeto e proximidade, dedicando tempo e atenção aos filhos. Quando estes sentem o amor dos seus pais, estarão mais dispostos a aceitar a autoridade como uma orientação para a vida.

É um mito que a vida familiar deve se desenrolar apenas em um clima de bom humor e tranquilidade. Essa fantasia é sedutora e muito desejada, porém é irreal. Conflitos são inevitáveis pelo simples fato de que as crianças, em algum momento, vão se opor aos limites. Este enfrentamento propicia o fortalecimento da sua estrutura.

Uma criança pequena, estando em fase de desenvolvimento, tem muitas atitudes baseadas em instintos e impulsividades, e é através da autoridade que ela se tornará cada vez mais apta a viver em sociedade de forma saudável e respeitosa.

Por Graziela Dengo – Psicóloga da Equipe Psicotér

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