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O Ciclo do Pânico: o que acontece na crise?

Categoria: Ansiedade, Doenças e Transtornos

 

Quem nunca ouviu falar da Síndrome do Pânico?

Não é a toa que esse transtorno de ansiedade já é conhecido como o Mal do Século, pois atinge milhares de pessoas, cerca de 10% da população, no mundo todo, de todas as idades, embora a fase de maior prevalência ainda seja em adultos jovens e a incidência ser quatro vezes maior em mulheres do que em homens.

 

A crise de Pânico é caracterizada por um medo intenso, desespero, sensação de perigo iminente sem um motivo lógico e aparente. O que ocorre é que diante da sensação de que algo ruim vai acontecer, o cérebro recebe a informação de ameaça. Ele aciona automaticamente um mecanismo de defesa chamado de luta e fuga capaz de sobreviver frente ao perigo.
Nesse momento, o corpo responde como se estivesse em ameaça. Libera adrenalina no corpo, o que causa diversas alterações corporais. Assim como: mal estar; alteração no ritmo do coração; suor; tremor; dormência ou formigamento nas mãos, pés e rosto; dificuldade para respirar; falta de ar; sensação da garganta fechando; boca seca; dificuldade para engolir; calafrios ou calorões; náusea; dor de barriga; dor no peito; dor de cabeça; tontura; problemas de visão e até desmaio.

Essas reações podem estar no ciclo de um ataque de Pânico, não estando necessariamente todas essas presentes.  O ápice da crise não costuma durar mais que quinze minutos, embora a presença dos sintomas podem persistir por horas. A presença, a intensidade e o tempo de duração dos sintomas variam conforme a gravidade de cada caso.

Após o primeiro ataque de Pânico, a pessoa fica preocupada em ter novamente outra crise. Desenvolvendo assim, uma ansiedade antecipatória. Ou seja, o medo de sentir medo. Podem acompanhar a crise o medo de ficar louco; o medo de perder o controle sobre o próprio organismo; o medo de passar mal e até mesmo o medo de morrer.
Essas sensações de medo intenso levam a evitação de determinadas situações, locais e pessoas como se estes estivessem associados aos motivos que desencadeiam o ataque de Pânico, constituindo assim a Fobia. É impressionante como o relato de uma única crise já causa alterações de comportamentos numa pessoa capaz de modificar uma vida, prejudicando de forma significativa suas funções diárias, podendo levar a outros quadros como alcoolismo, uso de drogas e depressão se não for devidamente tratado.

 

Um conjunto de fatores está associado para desencadear um ciclo de Pânico. Geralmente aspectos genéticos estão envolvidos. Assim como o temperamento da pessoa; a vivência de sobrecarga; o excesso de pressão emocional; a estrutura para lidar com cobranças, que levam ao estresse, motivo pelo qual o início da idade adulta é o período do desenvolvimento humano de maior pressão.

O ataque também pode vir como uma resposta a uma situação de stress pós traumático, após um acidente, perda ou luto ou em situações com histórico de traumas, maus tratos e abuso sexual.

Pensamentos negativos, catastróficos, distorcidos e irreais geralmente estão associados ao quadro, causando descarga de adrenalina e diversas reações fisiológicas no corpo. Essas reações físicas são sentidas pelo organismo e reforçam os pensamentos automáticos. Quem sente alteração no coração, por exemplo, acredita que está tendo um ataque cardíaco e que vai morrer, mantendo assim o ciclo de Pânico. É um equívoco a pessoa acreditar que pode evitar ou prever a próxima crise, pois são reações corporais normais emitidas diante da sensação de medo, o que deve ser tratado nesse caso são as distorções cognitivas e o enfrentamento diante de um possível ataque.
A pessoa não morre dos ataques de pânico, não há relato de um organismo ser afetado diante de tais alterações físicas causadas pela crise, o que se vê é a morte da qualidade de vida desse ser humano que se tornou um refém dos próprios medos, limitando sua vida pessoal, familiar, profissional e social.  É enlouquecedor conviver com pensamentos ruins, sejam eles quais forem, principalmente se levar a exaustão. A crise de Pânico geralmente vem a mostrar ao indivíduo o quanto ele precisa de ajuda e vem negligenciando as suas necessidades emocionais.

 

Por Márcia Moraes – Psicóloga da Psicotér


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