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Função Materna

Categoria: Família, Maternidade

A função materna é essencial para a organização psíquica da criança e sua constituição como sujeito.

Pode-se dizer que é a partir da organização psicológica desenvolvida do relacionamento com a mãe ou com a sua cuidadora que a criança conquista a capacidade de se relacionar com o resto do mundo dos objetos humanos (Coppolillo, 1990).

Para Klein (1997), a vida mental da criança é influenciada por emoções primitivas e fantasias inconscientes. O recém-nascido experimenta uma ansiedade de natureza persecutória e sente, de forma inconsciente, como se todos os desconfortos lhe fossem infligidos por forças hostis, o que desencadeia uma ansiedade da qual o ego precisa se livrar, e para isso, projetar.

O Outro escreve as primeiras marcas no corpo do bebê, as quais serão os alicerces do seu aparelho psíquico. O Outro, ou seja, o adulto encarregado de cuidar da criança, que geralmente é a mãe, irá manipulá-lo de acordo com o que determinem os significantes de sua história e de acordo com o lugar que esses significantes outorguem ao objeto que tem em suas mãos.

Em um entendimento lacaniano, a mãe sustenta para o seu bebê o lugar de Outro primordial. Impelida pelo desejo, antecipará em seu bebê uma existência que ainda não está lá, mas que virá a se instalar justamente porque foi suposta. Através do seu olhar, gestos e palavras, a mãe desenha o mapa libidinal que recobre o corpo do bebê (Kupfer, 2000).

OU SEJA….

O bebê, no início da vida, é acometido por terrores, medos e ansiedades, afinal está diante de sensações corporais e estímulos que, inicialmente não têm nenhum sentido para ele. Se a mãe (ou pessoa que exerce a função materna) puder ser receptiva e compreensiva, terá condições de ajudá-lo a “digerir” esses sentimentos desconhecidos, conferindo-lhes sentidos e contendo sua ansiedade.

É a mãe ou a pessoa que vai exercer a função materna quem vai apresentar o mundo para a criança.

No começo a criança nem percebe a diferença entre ela e a mãe, pensa que são uma coisa só; entende isso como uma unidade. Somente com o tempo e com os cuidados que a mãe dedica a ela é que a criança vai perceber a diferença entre eles e finalmente entender a individualidade de cada um.

Como é a mãe quem apresenta o mundo para a criança, o resultado é que parte da sua visão de mundo é “transferida” para o filho. Ela coloca um pouco de si no que está mostrando, a visão dela, a forma de ver.

Muitas coisas vão se repetindo. Aquilo que eu recebi da minha mãe, passo para os meus filhos, e eles vão passar para os meus netos. Chamamos esse processo de transgeracionalidade.

Todo o desenvolvimento da personalidade, de tudo o que a criança vai ser no futuro, está de certa forma nas mãos dos pais, mas em primeiro lugar da mãe. O pai tem o seu papel, muito importante, mas a mãe é o primeiro contato.

Talvez as pessoas não saibam a importância do afeto que a mãe passa para a criança fisicamente. Seja segurando no colo, dando mamadeira, amamentando, fazendo carinho, pegando na mão ou dando banho. Em todos esses momentos ela está passando literalmente calor humano e a sua presença, mostrando que está ali. Tudo isso no futuro vai colaborar para que essa criança seja segura. Mas tudo isso deve ser muito bem dosado. É importante ressaltar que esses cuidados dependem da necessidade de cada criança. Cada ser humano responderá ao ambiente de forma própria, apresentando, a cada momento, condições, potencialidades e dificuldades diferentes.

A “mãe suficientemente boa”, como se diz em psicanálise, é a que proporciona o encontro do vínculo afetivo pelas necessidades fisiológicas até os processos de separação; gerando confiança na criança para suportar-se sozinha posteriormente. Cria condições de separação gradual, oferecendo elementos de suporte ao filho em processo de crescimento físico e psicoemocional.

Na fase da dependência relativa, a mãe suficientemente boa terá de falhar para que o amadurecimento do sujeito possa ocorrer. É a falta da mãe que, na medida certa, levará a criança a tolerar suas próprias angústias e contar consigo nas demais fases da vida.

Dessa forma, o adequado desempenho da função materna não é o da mãe supostamente “perfeita”. A mãe flexível é o suficiente para poder acompanhar o filho em suas necessidades; as quais oscilam e evoluem no percurso para a maturidade e a autonomia.

Assim, o amparo psíquico da figura materna para com seu bebê é de suma importância para a constituição do eu. É a base principal para todos demais relacionamentos do bebê no mundo externo. O sadio relacionamento mãe-bebê representa, desse modo, proteção e segurança para a criança; contribuindo essencialmente para o desenvolvimento adequado do aparelho psíquico.

Por: Psic. Joselaine Garcia

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