Saber como ajudar alguém em uma crise de ansiedade faz diferença tanto para quem está vivendo o episódio quanto para quem está por perto, muitas vezes sem saber exatamente o que fazer.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil lidera o ranking mundial de ansiedade, com quase 19 milhões de pessoas convivendo com o transtorno. É provável que, em algum momento, você se encontre ao lado de alguém em crise
A boa notícia é que existem formas concretas de apoiar sem invadir, sem minimizar e sem se sentir responsável por resolver tudo sozinho(a).
Neste conteúdo, vamos explicar o que fazer durante uma crise de ansiedade, o que evitar e quando o apoio de um profissional se torna necessário.
Como reconhecer que alguém está tendo uma crise de ansiedade?
Sinais como respiração acelerada, mãos trêmulas, sudorese e fala rápida ou entrecortada costumam indicar que a pessoa está no meio de uma crise.
Algumas pessoas relatam sensação de irrealidade, medo de perder o controle ou de estar tendo um problema cardíaco, mesmo quando o episódio é de origem emocional.
Nem toda crise é visível de longe. Algumas pessoas conseguem disfarçar bem o que estão sentindo, o que reforça a importância de perguntar diretamente como a pessoa está quando algo parece diferente.
O que fazer durante uma crise de ansiedade?
Mantenha a calma e fique presente
Seu próprio estado emocional influencia o da pessoa ao lado. Falar em tom de voz calmo e pausado ajuda a transmitir segurança, mesmo sem dizer muita coisa.
Pergunte o que ela precisa
Em vez de assumir o que ajuda, perguntar “o que você precisa agora” devolve à pessoa o controle sobre a própria experiência durante a crise.
Ajude a regular a respiração
Convidar a pessoa a respirar com você, de forma lenta e profunda, contando até quatro para inspirar e até seis para expirar, ajuda a sinalizar ao corpo que o perigo passou.
Ofereça um ponto de apoio físico
Sugerir que a pessoa se sente ou encoste as costas em algo firme contribui para uma sensação de estabilidade durante o episódio.
O que evitar durante uma crise de ansiedade?
Dizer “se acalma” ou “não é nada” costuma transmitir que a pessoa deveria simplesmente controlar algo que, naquele momento, foge do controle dela, o que tende a aumentar a frustração.
Fazer muitas perguntas ao mesmo tempo, insistir para que a pessoa “explique o motivo” da crise, costuma sobrecarregar ainda mais quem já está em estado de alerta.
Tocar na pessoa sem perguntar antes também pode piorar o desconforto. Algumas pessoas se beneficiam de contato físico durante a crise, outras preferem espaço.
Minimizar o episódio com frases como “isso é frescura” ou “todo mundo passa por isso” aumenta a sensação de vergonha, que já costuma acompanhar crises em público.
Como ajudar alguém em uma crise de ansiedade no ambiente de trabalho?
Levar a pessoa para um local mais reservado, longe de olhares, ajuda a reduzir a sensação de exposição, especialmente durante uma reunião ou apresentação.
Avisar discretamente que a pessoa precisa de um momento, sem detalhar a situação para outras pessoas, preserva a privacidade dela nesse momento delicado.
Depois que a crise passa, perguntar se ela quer continuar as atividades ou se prefere um tempo antes de voltar costuma ser mais respeitoso do que assumir a decisão por ela.
Como ajudar uma criança ou adolescente durante uma crise de ansiedade?
Falar em frases curtas e simples, sem exigir que a criança explique o que está sentindo naquele momento, ajuda a reduzir a sobrecarga durante a crise.
Ficar fisicamente próximo, no nível dos olhos da criança, transmite segurança sem necessariamente exigir contato físico direto, que nem toda criança tolera bem nesse momento.
Depois que a crise passa, conversar sobre o que aconteceu, sem julgamento, ajuda a criança a entender melhor o que sentiu, sem se sentir culpada pelo episódio.
É seguro perguntar se a pessoa está tendo um ataque de pânico?
Sim. Nomear o que pode estar acontecendo, com uma pergunta simples como “isso parece uma crise de ansiedade, é isso?”, costuma ajudar mais do que confundir.
Se os sintomas forem muito intensos, como dor forte no peito, suor frio excessivo ou perda de consciência, e for a primeira vez que a pessoa sente isso, procurar atendimento médico imediato é o caminho mais seguro.
O que fazer depois que a crise passa?
Perguntar se a pessoa quer conversar sobre o que aconteceu, sem insistir caso ela prefira não falar no momento, respeita o ritmo dela para processar o episódio.
Evitar comentários como “isso foi bobagem” ou “espero que não aconteça de novo” ajuda a pessoa a não se sentir julgada por algo que não escolheu sentir.
Oferecer companhia para os próximos passos, como buscar avaliação profissional, sem impor prazos, costuma ser mais eficaz do que insistir repetidamente.
Quando a situação exige ajuda imediata?
Se, durante ou depois da crise, a pessoa mencionar pensamentos de morte ou de desistir da própria vida, essa fala precisa ser levada a sério, sem julgamento e sem minimização.
Nesses casos, buscar ajuda imediata pelo Centro de Valorização da Vida, o CVV, no número 188, disponível 24 horas todos os dias, ou levar a pessoa a um serviço de emergência pode ser decisivo.
A psicoterapia é central no cuidado contínuo, mas não substitui o atendimento de urgência diante de um risco imediato.
Como cuidar de si mesma depois de apoiar alguém em crise?
Apoiar alguém durante uma crise também é uma experiência intensa para quem oferece o suporte, e reconhecer esse desgaste não é egoísmo. Conversar sobre o que você sentiu durante o episódio, com alguém de confiança ou com um profissional, ajuda a processar a própria experiência.
Estabelecer limites sobre o que você consegue oferecer, sem se sentir responsável por resolver tudo sozinha, torna o apoio sustentável a longo prazo.
Qual o papel da psicoterapia no cuidado da ansiedade?
A psicoterapia ajuda a pessoa a identificar os gatilhos por trás das crises e a desenvolver estratégias para reduzir a frequência e a intensidade dos episódios.
Abordagens como a terapia cognitivo-comportamental trabalham diretamente com os pensamentos automáticos ligados ao medo da crise.
Na Psicotér, a equipe reúne profissionais de diferentes abordagens, o que permite construir um acompanhamento alinhado à história de cada pessoa. Conhecer a psicoterapia individual é um bom ponto de partida para quem vive crises recorrentes.
Para quem prefere flexibilidade de horário e localização, a psicoterapia online oferece o mesmo cuidado clínico à distância, inclusive para pacientes que moram fora do país.
Você não precisa passar por uma crise sozinho (a)
Aprender a apoiar alguém em uma crise de ansiedade não significa ter todas as respostas, e sim estar disposta a oferecer presença no momento difícil.
Na Psicotér, a primeira sessão é gratuita e pode ajudar quem vive crises frequentes a entender qual caminho de cuidado faz mais sentido. Atendemos online para todo o Brasil e para pacientes que moram no exterior, além do atendimento presencial em Porto Alegre. Entre em contato e converse com a nossa equipe.
Perguntas frequentes
Devo levar a pessoa ao pronto-socorro durante uma crise de ansiedade?
Depende da intensidade dos sintomas. Se for a primeira crise, ou se houver dor intensa no peito e suor frio, buscar atendimento médico é o mais seguro.
Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?
O pico costuma durar cerca de dez minutos, embora o desconforto residual possa continuar por mais tempo depois do momento mais intenso do episódio.
Posso fazer algo errado ao tentar por não saber como ajudar alguém em uma crise?
Sim, e está tudo bem. O mais importante é manter a disposição de ajustar a forma de apoiar, em vez de desistir depois de uma tentativa que não funcionou.
É normal a pessoa não querer falar sobre a crise depois?
Sim. Cada pessoa processa o episódio de um jeito, e respeitar esse ritmo é mais importante do que insistir em uma conversa imediata.
Crises de ansiedade em público são mais graves que em casa?
Não necessariamente mais graves, mas costumam vir acompanhadas de vergonha e exposição, o que pode intensificar o desconforto emocional do episódio.
A terapia ajuda a reduzir a frequência das crises?
Sim. A psicoterapia ajuda a identificar os gatilhos e a desenvolver estratégias que, ao longo do tempo, tendem a reduzir a frequência e a intensidade das crises.



