Depressão na Adolescência

Esteja atendo ao transtorno depressivo na adolescência!

Assim como a infância, a adolescência é uma fase do ciclo vital de suma importância. É nela onde ocorre a construção da personalidade do indivíduo. É o período do desenvolvimento onde acontece a busca da identidade e dos interesses. No ambiente escolar, a necessidade em querer se parecer com os colegas é muito presente, muitas vezes como uma forma de aceitação para inserção no grupo de iguais.

A adolescência é um momento desafiador tanto para os responsáveis quanto para o próprio adolescente, que perpassa pelas mudanças físicas e psicológicas influenciando no questionamento de valores e regras sociais. O desejo em conquistar a independência caminha concomitantemente com a dependência familiar, ou seja, há presença de comportamentos mais infantis e ao mesmo tempo a manifestação do querer a liberdade e autonomia da vida adulta.

As exigências sociais e psicológicas impostas pela fase do adolescer promovem mudanças significativas no ser humano, preparando a formação do indivíduo bem como o enfrentamento das adversidades que a vida coloca diante das experiências. Por estar em um momento de construção podemos dizer que a adolescência é marcada pela vulnerabilidade do ser humano frente às oportunidades.

Diante da intensidade e dificuldade do jovem em lidar com as mudanças e sentimentos, é importante ficarmos atentos em relação à possibilidade do desenvolvimento de um transtorno depressivo. A depressão pode ocorrer em todas as fases da vida e sua característica principal é a alteração de humor. A partir do momento em que se observam reflexos de prejuízo no funcionamento social, escolar e em outras áreas importantes da vida, é preciso buscar ajuda profissional.

O transtorno depressivo na adolescência apresenta algumas características sintomáticas, entre elas estão o humor depressivo ou irritável, a falta de concentração, a alteração no sono e/ou apetite, sentimentos de culpa ou inutilidade, diminuição de interesses, isolamento social, decadência escolar, cansaço e até mesmo pensamentos suicidas. Este último sintoma quando for percebido deve ser valorizado e encaminhado ao profissional o mais breve possível. É importante salientar que esses sintomas isolados não caracterizam a depressão, ou seja, deve ser observado um conjunto de sinais que o adolescente apresenta, bem como sua intensidade e frequência. Nesse caso, indica-se a avaliação de um profissional de Psicologia para mapear as forças e fraquezas, diagnosticar e indicar o tratamento adequado.

A irritabilidade e a tristeza são tipos de sintomas presentes na depressão, porém isso não significa que todo o indivíduo que manifesta esses sintomas seja acometido pelo transtorno.

A irritabilidade é um descontrole emocional e podemos dizer que é uma reação exagerada em relação a incômodos. Na depressão, uma pessoa constantemente irritada mostra uma ira persistente por coisas sem importância. No que tange a tristeza, faz parte da experiência normal do ser humano. Ela tem uma causa relacionada com um ou vários acontecimentos, como por exemplo, uma desilusão amorosa, perda de emprego ou morte de ente querido. Já a tristeza na depressão, não precisa de nenhum motivo específico que lhe cause esse sentimento.

Segundo a ABRATA, Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos, “A tristeza e a irritabilidade, por si sós, são estados emocionais saudáveis, pois pretendem nos informar de que existe algo que nos incomoda e que está nos prejudicando. Eles somente se transformam em patológicos quando distorcem as nossas vidas e deterioram demasiadamente as nossas esferas sociais e profissionais durante muito tempo”.

Os fatores que desencadeiam a depressão são biopsicossociais. No que se refere ao biológico, fatores genéticos ou hereditários, pode haver uma provável disfunção nos neurotransmissores devido à herança genética. Quanto ao aspecto psicológico, destaca-se a falta de autoconfiança e baixa autoestima, bem como vivências adversas (perdas importantes, abuso físico ou sexual). Na esfera social está a inadaptação social devido a valores culturais, familiares, escolares, ou outros.

Algumas experiências no desenvolvimento da vida podem ser consideradas como riscos para o surgimento da depressão. O abandono infantil, a agressão verbal, psicológica ou física, o controle excessivo vivenciado, a falta de estímulos para demonstração de afeto e a falta de atenção aos interesses do adolescente podem trazer prejuízo e fragilidade emocional.

Conforme a Organização Mundial da Saúde, estima-se que em 2020, a depressão seja a maior causa de incapacidade humana, somente sendo superada pelas doenças cardiovasculares.

A depressão não é brincadeira, ela é silenciosa e qualquer pessoa pode ser a sua vítima. Na adolescência os seus sintomas podem se confundir com as características específicas dessa fase vital, por isso é preciso observar até que ponto os sintomas presentes causam prejuízos na vida do adolescente.

Como ajudar um adolescente com depressão? Aproxime-se dele e de seus amigos, procure dialogar de forma aberta e constante, buscar conhecer sobre as tecnologias também é um exercício que pode ajudar, estar atento aos conteúdos que interessam o adolescente no mundo virtual, estabelecer limites e regras claras, conhecer sobre o transtorno também irá te possibilitar uma melhor compreensão acerca dos sintomas, evitando os julgamentos em relação aos comportamentos do indivíduo com depressão.

Se você conhece algum amigo ou familiar que está passando por uma situação parecida, em sofrimento psíquico, indique ou procure a ajuda de um psicólogo. A depressão é um transtorno multifatorial de extremo sofrimento para o indivíduo e para a família, que não consegue ser superada sem auxílio profissional. O papel da psicoterapia é fundamental no tratamento desses pacientes e no fortalecimento da rede de apoio do adolescente, que abrange a família, amigos e escola, mobilizando relações mais satisfatórias e maior qualidade de vida, ao passo que os relacionamentos e a percepção de apoio e acolhimento assumem um importante papel nessa fase do ciclo vital.

Por Amanda Hasse – Psicóloga da Equipe Psicotér

 

Se você convive com um adolescente e ele apresenta os sinais descritos acima, procure um psicólogo para uma orientação especializada.
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Vício em Internet: Quando navegar se torna uma doença

 

Hoje em dia, poucas pessoas não se conectam diariamente à internet, seja para realizar alguma pesquisa, seja para relaxar e interagir nas redes sociais, seja para obter informações dos noticiários, jogar ou assistir a algum filme ou série. Não há mais como pensar no mundo sem os smartphones, tablets ou computadores. Tudo está lá, ao alcance de um clique.

O que se percebe, porém, é que muitas pessoas estão cada vez mais dependentes da internet, ou seja, não conseguem se desconectar, sofrem se ficarem impedidas de acessar este vasto mundo de facilidades e de diversão. Isto é o vício em internet e ele é considerado tão problemático quanto o vício em drogas ou em jogos de azar.

O uso problemático da internet é o uso excessivo e irracional desta ferramenta, que interfere na vida cotidiana. Apesar de não ser mencionado no DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, de 2013), existe a ideia comum de psicólogos e de psiquiatras de que o vício em internet existe e é uma doença perigosa. Os profissionais da saúde mental lidam com o vício em internet a partir da ideia de como lidar com os outros vícios e o vincula ao vício em jogos, especificamente.

Em estudo realizado em 2014 pela agência A. T. Kearney, dos Estados Unidos, os resultados mostram que o Brasil é o país com maior número de viciados em internet: 51% dos entrevistados afirmaram permanecer online por mais de 12 horas por dia. Destes, 32% tinham entre 26 e 35 anos, enquanto 21% possuíam de 16 a 25 anos de idade. Os homens são a maioria: 53%, contra 47% de mulheres viciadas.

O vício em internet atinge principalmente os homens jovens e relaciona-se a jogos online, como uma maneira de escapar da realidade ou amenizar a ansiedade, como a maioria dos outros vícios. As mulheres, quando apresentam sintomas do vício, normalmente preocupam-se demais com as redes sociais e com os “likes” que podem receber em suas postagens.

A dependência da internet, assim como outros transtornos, pode afetar qualquer pessoa, mas aqueles indivíduos mais introvertidos, com baixa autoestima e que têm dificuldades em manter relações pessoais são as que possuem maior tendência ao transtorno. Os dependentes da internet, ainda, são afetados por problemas familiares ou pessoais como bullying, exclusão social, frustrações profissionais, conturbações no casamento e até dificuldades financeiras. Tendo isso em mente, o acesso frenético à internet pode ser entendido como uma válvula de escape desse indivíduo – um local confortável que acaba tomando o lugar do mundo real.

Ainda que o vício em internet não tenha seus critérios definidos nos manuais diagnósticos, os psicólogos e psiquiatras observam alguns comportamentos como a tolerância, que é a capacidade do indivíduo em se manter conectado o tempo todo para satisfazer ou diminuir sua ansiedade; a abstinência, que são os sintomas que surgem quando o indivíduo fica sem acesso à internet; e o uso da internet, mesmo quando isso causa algum problema físico, pessoal, psicológico ou social ao indivíduo, como dor nos olhos, nas costas, afastamento social ou familiar, dificuldades em realizar tarefas no trabalho ou escola, dentre outros. A irritabilidade e a depressão também são sintomas comuns dos indivíduos viciados em internet.

Hoje em dia o mundo está cada vez mais conectado, e ninguém pode negar que é muito difícil se manter longe de computadores, tablets ou smartphones. Porém, os profissionais de psicologia alertam para algumas práticas e que precisam ser seguidas por qualquer pessoa para evitar o vício:

1) autocontrole dos horários de acesso à internet e uso do tablet ou smartphone;

2) análise de seu uso das mídias, internet, jogos, bate-papos – tempo e necessidade de estar conectado: algum compromisso já foi adiado ou não cumprido por causa da internet? Você se afastou das pessoas por estar muito conectado? A vida real deixou de ser interessante? Há alguma consequência negativa pelo uso da internet? Existe sofrimento ao não poder estar conectado?

Além do vício em internet propriamente dito, existem outras condições relacionadas ao uso exagerado desta ferramenta:

  • Síndrome do toque fantasma: quando o cérebro faz com que você pense que seu celular está vibrando ou tocando no seu bolso ou na sua bolsa;

  • Nomophobia: ansiedade que surge por não ter acesso a um dispositivo móvel ou computador. O termo Nomophobia é uma abreviatura de “no-mobile phobia” (medo de ficar sem telefone móvel);

  • Náusea digital: desorientação e vertigem que algumas pessoas sentem quando interagem em determinados ambientes digitais;

  • Depressão de Facebook: depressão causada por interações sociais ou a falta delas no Facebook.

  • Vício de jogos online: uma necessidade não saudável de acessar jogos online;

  • Hipocondria digital: tendência de acreditar que você tem doenças sobre as quais leu online;

  • Efeito Google: tendência do cérebro humano de reter menos informação porque ele sabe que as respostas estão ao alcance de alguns cliques.

É consenso entre psicólogos e psiquiatras que a forma mais eficaz de controlar o vício em internet é usando a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), forma de psicoterapia também utilizada em outras compulsões e transtornos variados. O uso de medicamentos também se faz necessário.

 

Por Anne Griza – Psicóloga da Psicotér

 

 

 



Se você percebe em si ou em alguém algum sintoma do vício em internet, entre em contato conosco através desse link para agendar uma Avaliação Gratuita para psicoterapia, com um Psicólogo ou Psicóloga em Porto Alegre. Assim como outros vícios, este é tratável e curável. Temos a garantia do melhor atendimento e psicólogos de Porto Alegre altamente qualificados.

 

Cura Gay: É possível curar alguém que não está doente?

 

EU NÃO POSSO CURAR UMA PESSOA QUE NÃO ESTÁ DOENTE – A CURA GAY E A PSICOLOGIA

 

Na última sexta-feira, 15 de setembro, um juiz da 14ª Vara do Distrito Federal, concedeu uma liminar que torna legalmente possível que psicólogos ofereçam terapias de reversão sexual, mais conhecidas com cura gay”. Esta decisão tornou-se uma polêmica que gerou discussões, piadas e memes em todo o país.

Esta liminar determina que o Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão que regulamenta a profissão de Psicólogo, reinterprete uma resolução estabelecida pela entidade em 1999, que proíbe aos profissionais da Psicologia que ofereçam terapias de reversão ou reorientação sexual. Segundo a liminar, o Conselho deve reinterpretar a resolução de modo a não impedir a reorientação sexual, o que a mantém viva, mas transformada em letra morta (sem validade).

A resolução do CFP nunca impediu que psicólogos discutam com seus pacientes questões sobre sua sexualidade, pelo contrário, essas questões são muito importantes na vida das pessoas e podem ser tratadas em psicoterapia. O que os profissionais não podem fazer é tentar reorientar homossexuais para diminuir o sofrimento causado pelo preconceito. O problema, como foi apontado pelo presidente do CFP, é da sociedade, não das pessoas: “o psicólogo precisa abordar essa orientação sexual de modo que um dia isso não seja mais um problema a ser tratado em um consultório de psicologia”.

Freud, o pai da psicanálise, já em 1935, em carta a uma mãe que pedia a cura de seu filho que apresentava comportamentos homossexuais, afirmou que não existe cura para o que não é doença: “a homossexualidade não pode ser considerada uma doença. Nós a consideramos como uma variante da função sexual”, escreveu Freud em um trecho de sua carta e acrescentou, ainda, que a psicologia poderia ajudar o filho a enfrentar os conflitos, inibições e medos relacionados à sua vida social e pessoal, que podem vir a surgir, proporcionando-lhe mais tranquilidade, paz psíquica e eficiência, mas não pode curá-lo. Por fim, o referido autor ainda afirmou que “é uma grande injustiça e crueldade perseguir a homossexualidade como se fosse um crime”.

Esta mesma postura é defendida pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) desde o ano de 1973, quando retirou o Transtorno de Identidade de Gênero da lista de doenças, e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1990. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia proibiu qualquer prática de reversão desde 1999 e trocou o sufixo “ismo” por “dade”, pois o primeiro relaciona-se a quadros de doenças, o que a homossexualidade não é.

Essa mudança ocorre desde o início da Psicanálise e está também relacionada às mudanças na sociedade. Freud e outros pesquisadores mostraram que existiam homossexuais mesmo entre os gregos e os índios e isso era bem aceito. Algumas tribos norte-americanas, inclusive, consideram os homossexuais seres dotados de luz, pois possuem uma alma feminina e outra masculina, que se complementam.

Um estudo de Evelyn Hooker, psicóloga, feito em 1957 com 30 homossexuais e 30 heterossexuais, não encontrou nenhum distúrbio psicológico no grupo homossexual. Esta descoberta negou as crenças psiquiátricas que afirmavam que todos os homossexuais do sexo masculino sofriam de distúrbios psicológicos graves.

Além deste estudo, os relatórios da Associação Americana de Psiquiatria (APA), trazem o estudo de Simon LeVay, que encontrou uma das primeiras evidências biológicas de que os homossexuais já nascem homossexuais: há uma diferença no cérebro, na região do hipotálamo. Em outra pesquisa da APA, realizada com gêmeos, os resultados demonstram uma variação do comportamento de gênero incomum durante a infância, demonstrando, então, que a orientação sexual é em parte devida à genética. Outra evidência apontada pela APA é a de que pode haver a exposição do feto, durante a gravidez, a alguns hormônios que teriam papel importante na orientação sexual daquele indivíduo.

Deste modo, para a Associação Americana de Psiquiatria, as evidências científicas demonstram que há um forte componente biológico na orientação sexual. A mistura da genética, dos hormônios durante a gravidez e fatores ambientais é que contribuem para a orientação sexual de uma pessoa.

Não existem provas científicas de que qualquer orientação sexual seja uma escolha de livre arbítrio. A homossexualidade não é uma doença, é uma orientação sexual; assim como a heterossexualidade não é o estado de saúde plena.  Ela é uma orientação sexual tão saudável quanto a heterossexualidade ou a bissexualidade.

O que os homossexuais podem encontrar na psicoterapia é ajuda para tratar as consequências emocionais causadas por preconceitos e pressões sociais devido à sua sexualidade. O que os homossexuais buscam na psicoterapia é a auto compreensão, a autoestima, conhecer a si mesmos e lidar com o mundo ao seu redor, como também o fazem o heterossexual e o bissexual. O psicólogo pode reforçar a aceitação da condição do indivíduo, aliviando as dores causadas pelo peso dos preconceitos ou do ambiente em que vive.

A psicologia não pode intervir no que é íntimo de cada um, o que ela pode fazer é interpretar e ajudar o indivíduo a compreender o que representa sua queixa, que muitas vezes está relacionada a conflitos com família e sociedade, devido à sua orientação sexual. Trabalha-se para que a pessoa se aceite, aceite seu desejo; não existe cura para algo que não é doença. Os riscos associados a qualquer tratamento que proponha a “cura gay” podem incluir depressão, ansiedade, isolamento social, problemas de autoestima e suicídio.

 


Se você sofre devido à sua orientação sexual, se tem dificuldade em lidar com o preconceito, com a violência, com a intolerância, a ajuda de um profissional da psicologia pode ser positiva em sua aceitação, em sua orientação para uma vida saudável, como é direito de todos os indivíduos. Se você se sentir coagido em psicoterapia a mudar sua orientação sexual, procure outro profissional e reporte isso ao Conselho Regional de Psicologia de seu estado. Se você ainda não está com acompanhamento profissional e sente que isso lhe faria bem, entre em contato conosco através desse link para agendar uma Avaliação Gratuita para psicoterapia, com um Psicólogo ou Psicóloga em Porto Alegre. Temos a garantia do melhor atendimento e psicólogos de Porto Alegre altamente qualificados.

heart Amar não é doença, preconceito, sim! heart

 

 

Riscos potenciais do BULLYING E CYBERBULLYING

Desde seu lançamento, em meados de março deste ano, a série 13 Reasons Why (13 razões pelas quais – tradução livre) tornou-se assunto entre adolescentes, pais, escolas, psicólogos e médicos. Trata-se de uma série que aborda o bullying de modo aberto e claro, levando o espectador a experienciar os sentimentos que levaram a personagem principal ao suicídio.

Mais do que falar sobre a série, é importante que se discuta o bullying e, mais atualmente, o cyberbullying. O bullying caracteriza-se por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de uma pessoa ou um grupo de pessoas para outra pessoa ou grupo de pessoas, de modo repetitivo e sistemático. Entende-se o bullying como agressão, ameaça, opressão, tirania, intimidação, humilhação e até como maltrato.

Ele não se restringe a escolas, podendo acontecer na faculdade, na família, na vizinhança, na igreja e no trabalho. Pode atingir todo mundo, porém, os adolescentes são os que comumente sofrem com o bullying, dada sua inexperiência de vida e de modos de enfrentar seus problemas.

Em época de redes sociais e interações a distância, parece que não existe mais limite para a agressão entre os adolescentes. O que antes terminava com o fim das aulas, do curso, da recreação ou da brincadeira na rua, tem-se estendido para todos os momentos de quem sofre o bullying e tomado proporções muito maiores, dado o fato de que essas agressões, muitas vezes, são compartilhadas nas redes sociais, através de fotos, vídeos, xingamentos, etc., tornando o mundo o lugar em que o adolescente é colocado em situação vexatória. Assim, o bullying, que já fez muitas pessoas sofrerem, tornou-se cyberbullying, e a fraqueza, defeito ou mesmo traços de personalidade do adolescente é compartilhada com todo o mundo.

Dados do Centro Nacional de Estatísticas Educacionais de 2016 mostram que pouco mais de um em cada cinco estudantes já sofreu bullying (20,8%). O mesmo estudo ainda mostrou que somente 36% das crianças que sofrem bullying falam sobre isso com seus pais e pares. Esses dados mostram que para as crianças e os adolescentes este assunto ainda é muito delicado e difícil de ser relatado.

Os principais motivos para uma pessoa sofrer bullying são o modo como se veste, seu tipo físico, ou ainda, a raça. É claro que estes são os principais motivos, porém, outros como a orientação sexual, algum problema cognitivo ou deformidade física, entre outros, podem aparecer. Ainda, muitas pessoas sofrem bullying por serem simplesmente quem são, o que mostra que todo mundo está sujeito a essa situação vexatória.

Quem experimenta uma situação de bullying ou cyberbullying tem duas vezes mais probabilidade de sentir dores de cabeça, dores de estômago e, ainda, tem mais riscos de apresentarem dificuldades no sono, ansiedade e depressão. Outros efeitos do bullying podem ser pobre ajustamento escolar, problemas acadêmicos, uso de substâncias e comportamento violento. Os jovens que se culpam pelo bullying, ainda, estão mais propensos a desenvolver doenças como a depressão, vitimizarem-se e ter problemas de ajustamento social.

Segundo o Guia do Professor – Programa de Prevenção ao Bullying e ao Cyberbullying, alguns jovens vítimas de bullying não demonstram sinais de que estão sendo alvo de chacotas e perseguições, dado o fato de que muitos jovens possuem um perfil comportamental mais introvertido e reservado. Porém, na maioria dos casos, os sintomas de sofrimento podem aparecer, tais como:

  • dificuldades de relacionamento;

  • dificuldades de concentração;

  • queda no rendimento escolar;

  • discurso fatalista – “nada importa”; “eu quero sair daqui”;

  • aumento da introversão – ficam mais reservados, inclusive, em família e entre amigos;

  • preocupações com morte;

  • início do uso ou aumento no consumo de drogas;

  • descuido com a aparência;

  • mudanças na aparência – cortes de cabelo, mudança de cor de cabelo, etc.;

  • ficar mais tempo que o de costume trancado no quarto ou sozinho;

  • sinais de depressão, tais como dormir demais ou de menos; mudanças drásticas no peso;

  • perda de interesse pelo que antes se interessavam;

  • podem agir de maneira hostil;

  • comportamentos de risco ou de autodestruição.

O bullying e o cyberbullying são coisas sérias e podem levar ao suicídio, como aconteceu com a personagem Hannah de 13 Reasons Why. Além disso, o sofrimento, por si só, pode levar o indivíduo à ansiedade, baixa auto-estima e a desenvolver transtornos mentais, tais como Depressão, Transtorno Obsessivo Compulsivo e Fobias.

É importante que todos prestem atenção aos comportamentos, principalmente dos jovens, para que o indivíduo que sofre bullying possa receber ajuda e voltar a ter uma vida normal. O enfrentamento do bullying passa pelo acompanhamento psicológico e, em casos em que a depressão e a ansiedade já estão instalados, faz-se necessário o uso de medicamentos para diminuir os sintomas.

Por Anne Grizza – Psicóloga da Equipe Psicotér


Não deixe a pessoa que você conhece sofrer com isso, é arriscado e extremamente prejudicial. Entre em contato conosco através desse link para agendar uma Avaliação Gratuita para psicoterapia, Online ou Presencial, com um Psicólogo ou Psicóloga em Porto Alegre. Temos a garantia do melhor atendimento e psicólogos de Porto Alegre altamente qualificados.