Não é normal querer chorar do nada!

As emoções não são iguais, umas são ruins, outras boas. A tristeza está caracterizada como uma emoção negativa em nossa sociedade e um dos sinais de tristeza melhor identificados por nós é quando choramos. Porém, nem sempre o choro é acompanhado de uma emoção ruim. Muitas vezes as pessoas choram de alegria. O casamento de uma filha, o nascimento do sobrinho, do neto, uma apresentação da filha na escola podem nos despertar muita alegria e podemos chorar por isso.

Algumas pessoas têm maior sensibilidade para algumas emoções e muitas delas choram por qualquer coisa. Uma expressão muito conhecida e que a pessoa se caracteriza é “sou uma manteiga derretida, choro por qualquer coisa”. Tem pessoas que tendem a chorar com mais facilidade e isso não é um defeito, ela só é mais sensível naturalmente para lidar com algumas emoções que a situação desperta.

A pessoa pode chorar quando assiste uma cena romântica na novela, assistindo um filme, quando alguém lhe conta uma história triste. No entanto, choro repentino, acompanhado de tristeza e constrangimento em pessoas que nunca foram “manteiga derretida” pode ser sinal de que a pessoa não está bem e que ela pode estar apresentando sintomas de depressão.

Uma pessoa pode estar deprimida sem se dar conta. Ela presta atenção no seu choro frequente porque nunca foi assim e porque se sente constrangida frente às pessoas, mas não entende o que está acontecendo, o porquê de estar assim ultimamente. Os mais próximos começam a notar que a pessoa está mais sensível e um pequeno motivo à leva a emoções mais extremas que despertam o choro. Com o tempo, o choro começa o ocorrer em diversos ambientes, incluindo trabalho, sala de aula, shopping, restaurante, o que a leva ao isolamento por não querer se sentir exposta na frente dos outros.

O choro à toa é um sinal de que a pessoa pode estar com depressão, mas somente chorar não significa que a pessoa tem o transtorno.  

Para o diagnóstico de depressão, precisamos considerar outros sintomas associados ao choro repentino como:

  • Não sorrir
  • Não achar graça em nada
  • Vontade de não sair de casa e não se cuidar
  • Pessimismo
  • Irritação
  • Muito sono ou insônia
  • Perda ou aumento do apetite
  • Falta de concentração
  • Baixo rendimento no trabalho ou estudo
  • Cansaço

Portanto, a pessoa que nunca foi de chorar à toa provavelmente está apresentando outros sintomas que podem estar sinalizando que está com depressão e não está se dando conta.

Outro transtorno que pode apresentar choro à toa é o transtorno de humor bipolar. A pessoa pode estar super feliz e de repente, começar a chorar do nada. Isso ocorre pela característica do transtorno, que faz com que a pessoa tenha mudanças  de humor repentinamente (uma hora está feliz e uma hora está triste).  

Para o diagnóstico do transtorno de humor bipolar, além do choro repentino, precisamos prestar atenção se há mudanças de humor repentinas, que podem ocorrer em diversos graus de intensidade.

Outros sintomas que podem ocorrer são

  • Irritação
  • Pensamento e fala acelerados
  • Dificuldade para concluir tarefas
  • Desmotivação
  • Muito sono ou insônia
  • Perda ou aumento do apetite
  • Desinteresse por coisas que achava prazerosas
  • Compulsões (compras exageradas)

Tanto a depressão quanto o transtorno de humor bipolar, o choro repentino acompanhado de tristeza ocorre porque temos uma baixa na produção de algumas substâncias que temos no cérebro, que são responsáveis pelo nossa sensação de bem-estar.

Portanto, se você está parado e começa a chorar do nada, preste atenção a mais alguns sinais e, se você chegar a conclusão que tem mais sintomas associados ao choro, procure ajuda. Os transtornos de humor tanto a depressão quanto o bipolar, dependendo do grau e intensidade, podem ir progredindo conforme vai passando o tempo e podem ser incapacitantes, levando, muitas vezes, a perdas significativas em diversas áreas da vida, incluindo relacionamentos, vida social, trabalho ou estudo. Não deixe de prestar atenção em você e priorize a sua vida, ela é o bem mais precioso que você tem.

Por Roberta Gomes – Psicóloga da Psicotér 

 


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TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR

bipolar1O QUE É?
O Transtorno Afetivo Bipolar leva este nome por causa da alternância de dois estados emocionais básicos: a alegria e a tristeza. Assim como acontece nas doenças físicas, que muitas vezes representam excesso ou falta de algum elemento normalmente presente no corpo, muitas doenças da mente também representam alterações para mais ou para menos de aspectos emocionais comuns. O equivalente doentio da alegria recebe o nome de mania e o da tristeza, depressão. Estes equivalentes doentios dos aspectos emocionais constituem o que se denomina polos. Como são dois, entende-se o termo bipolar. O estado de bipolaridade é característico do chamado transtorno afetivo bipolar.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DESTA DOENÇA?
O transtorno bipolar é caracterizado pela alternância de fases de tristeza e alegria doentias, conhecidas respectivamente como depressão e mania, de onde vem o antigo nome de Psicose Maníaco Depressiva. Diferente do que ocorre nas situações normais, estas alternâncias não acontecem em resposta a estímulos externos que explicariam os estados emocionais. Em alguns casos, essas alternâncias podem ocorrer no mesmo dia ou na mesma hora. Mas estes são casos excepcionais, não é o mais comum. Por este motivo, o diagnóstico destes casos nem sempre é fácil.

QUAIS AS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS?
As consequências decorrem em grande parte da inconstância emocional. Mesmo quando o quadro clínico não é dos mais graves, torna-se difícil para a pessoa ter segurança de que, dentro de alguns meses, por exemplo, estará bem para cumprir um compromisso assumido. Uma situação não rara relacionada à perda da crítica ou capacidade de julgamento é uma tendência aos gastos exagerados (que podem levar o patrimônio de uma família ou empresa à ruína). Outro aspecto que pode dificultar o relacionamento com uma pessoa no estado positivo ou de euforia é a tendência da pessoa apresentar sentimentos de grandiosidade e a incapacidade de aceitar limites. No polo oposto, da depressão, a tendência é a visão negativa do rotineiro, a auto recriminação, a autoestima rebaixada, levando até mesmo a ideias de auto eliminação (suicídio). Um aspecto positivo é que, se tratado adequadamente, o paciente pode, na maioria dos casos, retornar a uma vida normal.

EXIGE E EXISTE TRATAMENTO? COMO É?
Hoje há uma série de tratamentos farmacológicos eficientes no tratamento da doença bipolar. O primeiro objetivo desta terapêutica é impedir a alternância de fases, ambas comprometedoras, e o retorno à vida familiar e profissional no mais breve período de tempo possível, evitando a desconexão do paciente com sua realidade. Além da eliminação dos altos e baixos do quadro clínico, é importante cuidar dos possíveis danos que podem ter sido causados à autoimagem do paciente. Estes danos só podem ser desfeitos através de um trabalho psicoterápico. Por este motivo, em muitos casos o tratamento inclui o uso de medicações e também intervenções psicológicas.

É NECESSÁRIA A INTERNAÇÃO? QUANDO?
Nas situações mais acentuadas e graves, tanto no quadro da depressão como no da mania, não é raro a necessidade de afastar o paciente de seu meio, como forma de evitar prejuízos à sua autoimagem ou mesmo evitar que o paciente causa danos a si mesmo ou a outros. Nestas situações, quando é necessário proteger o paciente de si mesmo ou de outros, se torna necessária a internação.

QUE MEDICAMENTOS SÃO USADOS? ELES VICIAM?
Os medicamentos psicotrópicos utilizados em Psiquiatria no tratamento dos transtornos bipolares compreendem várias categorias que genericamente recebem o nome de “estabilizadores do humor”. O mais utilizado entre essas medicações é o sal de lítio, que nos últimos anos tem sido especialmente estudado, com várias descobertas de grande importância para o tratamento do transtorno bipolar. Nenhuma das medicações utilizadas se caracteriza por determinar dependência. No entanto, é preciso diferenciar o “ter necessidade” do “estar dependente”. É importante que todo tratamento medicamentoso seja feito da maneira certa, sempre sob supervisão médica.

Bipolaridade causa lesão no cérebro

O transtorno bipolar é progressivo e leva à perda da função de neurônios, segundo novos estudos, liderados por pesquisadores brasileiros, além de ser o transtorno mental que mais causa suicídios.

A doença, caracterizada pela alternância entre depressão e euforia (mania, como os médicos dizem), atinge 2,2% da população: são 4,2 milhões de brasileiros, segundo estimativa da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Crises bipolares não têm nada a ver com as mudanças de humor da pessoa “de lua”, que passa uma manhã agitada ou se irrita facilmente.

Um episódio de mania pode durar dias ou semanas e levar a alteração do sono, perda do senso crítico e comportamentos compulsivos como comprar demais ou consumir álcool e drogas.

Como tantos outros nomes de patologias, a expressão “bipolar” é usada fora do contexto médico. Há um entendimento errado da bipolaridade. É uma doença muito grave, com uma série de sintomas. Mudar de humor rapidamente não faz o diagnóstico.

A bipolaridade é a doença mental que mais mata por suicídio: cerca de 15% dos doentes se matam. Os pacientes têm um risco 28 vezes maior de apresentar comportamento suicida do que o resto da população e até metade dos doentes tenta se matar, mostram levantamentos.

De acordo com as últimas descobertas científicas, as crises de euforia e depressão são tóxicas ao cérebro. Assim como o organismo do diabético sofre com os picos de glicemia, o cérebro de quem tem transtorno bipolar não controlado sofre com o excesso de neurotransmissores. Após cinco episódios do transtorno perde-se 10% do hipocampo, área responsável pela memória.

Os primeiros surtos de transtorno bipolar surgem como crises de depressão em 60% dos casos, daí a dificuldade no diagnóstico. O transtorno aparece, em geral, até os 25 anos. “O diagnóstico leva até dez anos”, afirma Helena Calil, psiquiatra e professora da Unifesp.

O alerta deve vir quando a família se queixa de instabilidade: a pessoa mostra alterações visíveis e fases de normalidade. Outros sinais são: histórico familiar (80% dos casos são hereditários), alterações no sono e uso de álcool e drogas (metade dos bipolares é dependente).

Transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado. O tratamento inclui o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de substâncias psicoativas, (cafeína, anfetaminas, álcool e cocaína, por exemplo), o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação e sono e redução dos níveis de estresse.

As consequências de não tratar o Transtorno Bipolar são: piora do próprio transtorno (episódios cada vez mais frequentes) e, principalmente, risco de perdas cognitivas irreversíveis, por perda celular no córtex frontal. Estas últimas podem, inclusive, levar a um quadro demencial.