Alienação Parental

A alienação parental é um crime que causa interferência na formação psicológica da criança ou adolescente. Pode ser gerada por pessoas que exerçam autoridade, guarda ou vigilância sobre a criança ou adolescente, como no caso de pais, avós, tios ou pessoas próximas que se tornam alienadores ao prejudicar o vínculo afetivo da criança com outros parentes, podendo ser pais, tios, avós, padrinhos ou irmãos que, assim como a criança, se tornam vítimas da alienação parental.

A alienação parental é movida pela raiva e pelo ódio que o alienador sente em relação a outros parentes e transfere esses sentimentos ruins para a criança, fazendo de tudo para separá-los e impedir um relacionamento parental saudável. A criança ou adolescente é utilizada como ferramenta de agressividade e vingança, como forma de puni-la em relação à família alienada.

Logo num momento de perda e conflito, em que a criança ou adolescente precisa de segurança, apoio e deveria estar sendo cuidada, protegida e amparada, a criança acaba sendo uma vítima nesse processo de alienação parental causado pelas pessoas que mais confia, mesmo que essa não seja a intenção do alienador, pois o alvo dos ataques é sempre a família alienada.

Trata-se da ruptura de vínculos familiares, uma espécie de abuso invisível, na qual a família alienante detém o controle e seus interesses particulares frente às necessidades afetivas da criança, privando-a de laços saudáveis e gerando sentimentos intensos e assoladores de abandono, rejeição e traição em relação as vítimas alienadas. Por dependência afetiva e material, a criança vítima de alienação parental sente medo de ser abandonada e rejeitada pelos alienadores, teme desagradar o alienador, passando a acreditar nas críticas negativas que escuta e promovendo o distanciamento e a exclusão dos vínculos parentais sem discernir a manipulação que sofre, sem ter consciência, remorso ou noção da realidade.

Forçadamente desenvolve a noção de que um lado da família é bom e o outro é mau, a criança ou adolescente demonstra-se intolerante a ambivalências e apresenta um discurso inadequado para a sua faixa etária. É reforçada a desenvolver comportamentos manipulatórios, a empregar “meias verdades” e geralmente mostram dificuldades em expressar as suas emoções, de forma sincera e genuína. Essas alterações de comportamento e afeto deram origem ao termo SAP, Síndrome da Alienação Parental.

Por esses motivos a alienação parental se torna tão prejudicial no desenvolvimento sócio afetivo da criança e adolescente, acarretando sequelas importantes e muitas vezes danos irreversíveis do ponto de vista emocional e comportamental para a criança alienada que se estenderão por toda sua vida. Os prejuízos envolvem desde problemas de relacionamento interpessoal, sentimentos de rejeição, mal estar, isolamento, falta de organização mental até a formação de transtornos psiquiátricos severos, sendo a depressão, a tendência ao suicídio, os transtornos de ansiedade, as doenças psicossomáticas, os transtornos de conduta, de identidade ou dependência química os problemas mais frequentes enfrentados por vítimas de alienação parental na infância. A criança ou adolescente apresenta grandes dificuldades de adaptação psicossocial, embora muitas vezes esse desajuste não seja aparente. A criança pode demonstrar boa adaptação na escola e um forte vínculo com a família alienante, embora patológico, pois esconde um sofrimento intenso pelo medo de ser abandonada, desenvolvendo a insegurança e a baixa autoestima, não conseguindo lidar com sentimentos contraditórios. A criança tende a se sentir culpada como cúmplice inconsciente das injustiças praticadas pelo alienador contra a família alienada.

Ressalta-se a sobreposição de traumas psicológicos para todas as pessoas envolvidas no processo de alienação parental, sobretudo a criança ou adolescente diante da ausência de pessoas que são suas referências de autoridade, confiança, respeito, apoio e afeto. A não elaboração de um luto saudável, que busca a reorganização pessoal e familiar e adaptação do indivíduo a nova realidade, torna-se adoecedor e propõe consequências catastróficas no desenvolvimento da criança alienada.

A alienação parental deixa de “assegurar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social em condições de liberdade e igualdade” conforme prevê o artigo terceiro do ECA – Estatuto da Criança e Adolescente. Trata-se de transformar a dor da perda em desejo de vingança ao invés da busca pela superação, através da capacidade de resiliência, promovendo à união, a compreensão, a busca pelo perdão, oferecendo desse modo o suporte afetivo, a estabilidade, os modelos de referência, amparo e apoio que essa criança ou adolescente necessita.

Nós, profissionais da saúde, esperamos contribuir cada vez mais, auxiliando para que as decisões no ordenamento jurídico promovam a reestruturação dos vínculos parentais em atual prejuízo, viabilizando o desenvolvimento emocional harmonioso e o bem-estar psicológico, sem comprometimentos ainda maiores a constituição da personalidade da criança vítima de alienação, que está sendo impedida de conviver com parte da sua família, importantes modelos de identificação.

Por Lisiane Duarte – Diretora Técnica da Psicotér

Cura Gay: É possível curar alguém que não está doente?

 

EU NÃO POSSO CURAR UMA PESSOA QUE NÃO ESTÁ DOENTE – A CURA GAY E A PSICOLOGIA

 

Na última sexta-feira, 15 de setembro, um juiz da 14ª Vara do Distrito Federal, concedeu uma liminar que torna legalmente possível que psicólogos ofereçam terapias de reversão sexual, mais conhecidas com cura gay”. Esta decisão tornou-se uma polêmica que gerou discussões, piadas e memes em todo o país.

Esta liminar determina que o Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão que regulamenta a profissão de Psicólogo, reinterprete uma resolução estabelecida pela entidade em 1999, que proíbe aos profissionais da Psicologia que ofereçam terapias de reversão ou reorientação sexual. Segundo a liminar, o Conselho deve reinterpretar a resolução de modo a não impedir a reorientação sexual, o que a mantém viva, mas transformada em letra morta (sem validade).

A resolução do CFP nunca impediu que psicólogos discutam com seus pacientes questões sobre sua sexualidade, pelo contrário, essas questões são muito importantes na vida das pessoas e podem ser tratadas em psicoterapia. O que os profissionais não podem fazer é tentar reorientar homossexuais para diminuir o sofrimento causado pelo preconceito. O problema, como foi apontado pelo presidente do CFP, é da sociedade, não das pessoas: “o psicólogo precisa abordar essa orientação sexual de modo que um dia isso não seja mais um problema a ser tratado em um consultório de psicologia”.

Freud, o pai da psicanálise, já em 1935, em carta a uma mãe que pedia a cura de seu filho que apresentava comportamentos homossexuais, afirmou que não existe cura para o que não é doença: “a homossexualidade não pode ser considerada uma doença. Nós a consideramos como uma variante da função sexual”, escreveu Freud em um trecho de sua carta e acrescentou, ainda, que a psicologia poderia ajudar o filho a enfrentar os conflitos, inibições e medos relacionados à sua vida social e pessoal, que podem vir a surgir, proporcionando-lhe mais tranquilidade, paz psíquica e eficiência, mas não pode curá-lo. Por fim, o referido autor ainda afirmou que “é uma grande injustiça e crueldade perseguir a homossexualidade como se fosse um crime”.

Esta mesma postura é defendida pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) desde o ano de 1973, quando retirou o Transtorno de Identidade de Gênero da lista de doenças, e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1990. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia proibiu qualquer prática de reversão desde 1999 e trocou o sufixo “ismo” por “dade”, pois o primeiro relaciona-se a quadros de doenças, o que a homossexualidade não é.

Essa mudança ocorre desde o início da Psicanálise e está também relacionada às mudanças na sociedade. Freud e outros pesquisadores mostraram que existiam homossexuais mesmo entre os gregos e os índios e isso era bem aceito. Algumas tribos norte-americanas, inclusive, consideram os homossexuais seres dotados de luz, pois possuem uma alma feminina e outra masculina, que se complementam.

Um estudo de Evelyn Hooker, psicóloga, feito em 1957 com 30 homossexuais e 30 heterossexuais, não encontrou nenhum distúrbio psicológico no grupo homossexual. Esta descoberta negou as crenças psiquiátricas que afirmavam que todos os homossexuais do sexo masculino sofriam de distúrbios psicológicos graves.

Além deste estudo, os relatórios da Associação Americana de Psiquiatria (APA), trazem o estudo de Simon LeVay, que encontrou uma das primeiras evidências biológicas de que os homossexuais já nascem homossexuais: há uma diferença no cérebro, na região do hipotálamo. Em outra pesquisa da APA, realizada com gêmeos, os resultados demonstram uma variação do comportamento de gênero incomum durante a infância, demonstrando, então, que a orientação sexual é em parte devida à genética. Outra evidência apontada pela APA é a de que pode haver a exposição do feto, durante a gravidez, a alguns hormônios que teriam papel importante na orientação sexual daquele indivíduo.

Deste modo, para a Associação Americana de Psiquiatria, as evidências científicas demonstram que há um forte componente biológico na orientação sexual. A mistura da genética, dos hormônios durante a gravidez e fatores ambientais é que contribuem para a orientação sexual de uma pessoa.

Não existem provas científicas de que qualquer orientação sexual seja uma escolha de livre arbítrio. A homossexualidade não é uma doença, é uma orientação sexual; assim como a heterossexualidade não é o estado de saúde plena.  Ela é uma orientação sexual tão saudável quanto a heterossexualidade ou a bissexualidade.

O que os homossexuais podem encontrar na psicoterapia é ajuda para tratar as consequências emocionais causadas por preconceitos e pressões sociais devido à sua sexualidade. O que os homossexuais buscam na psicoterapia é a auto compreensão, a autoestima, conhecer a si mesmos e lidar com o mundo ao seu redor, como também o fazem o heterossexual e o bissexual. O psicólogo pode reforçar a aceitação da condição do indivíduo, aliviando as dores causadas pelo peso dos preconceitos ou do ambiente em que vive.

A psicologia não pode intervir no que é íntimo de cada um, o que ela pode fazer é interpretar e ajudar o indivíduo a compreender o que representa sua queixa, que muitas vezes está relacionada a conflitos com família e sociedade, devido à sua orientação sexual. Trabalha-se para que a pessoa se aceite, aceite seu desejo; não existe cura para algo que não é doença. Os riscos associados a qualquer tratamento que proponha a “cura gay” podem incluir depressão, ansiedade, isolamento social, problemas de autoestima e suicídio.

 


Se você sofre devido à sua orientação sexual, se tem dificuldade em lidar com o preconceito, com a violência, com a intolerância, a ajuda de um profissional da psicologia pode ser positiva em sua aceitação, em sua orientação para uma vida saudável, como é direito de todos os indivíduos. Se você se sentir coagido em psicoterapia a mudar sua orientação sexual, procure outro profissional e reporte isso ao Conselho Regional de Psicologia de seu estado. Se você ainda não está com acompanhamento profissional e sente que isso lhe faria bem, entre em contato conosco através desse link para agendar uma Avaliação Gratuita para psicoterapia, com um Psicólogo ou Psicóloga em Porto Alegre. Temos a garantia do melhor atendimento e psicólogos de Porto Alegre altamente qualificados.

heart Amar não é doença, preconceito, sim! heart

 

 

Como perceber os primeiros sinais de autismo?

 

Hoje em dia sabe-se que o TEA – Transtorno do Espectro do Autismo tem causa orgânica e neurológica, estudos mostram que pessoas com autismo apresentam mais alterações eletroencefalográficas do que crianças que não apresentam o espectro, embora essa não é uma condição para se ter o diagnóstico. Com base na medicina moderna, acredita-se que o TEA é uma alteração na estrutura e no funcionamento do cérebro dessas crianças, sendo que muitas vezes essas alterações não são visíveis nos exames convencionais atuais.

O TEA é conhecido como uma “pane” no sistema neurofisiológico, criando obstáculos para o processamento cerebral. A tríade autística caracteriza-se por um desenvolvimento atípico em três grandes áreas: 1) Na comunicação; 2) Na socialização; 3) No comportamento restrito e repetitivo. Existe uma diversidade enorme que marcam essas características e varia muito o grau de comprometimento de cada uma delas, tornando único cada indivíduo com TEA.

Aplica-se o termo de um “mundo paralelo”, “mundo singular” ou ainda a “concha autística” para expressar o isolamento social que marca a vida dessas crianças, a dificuldade para interagir e estabelecer trocas afetivas com outras pessoas que o cercam, pois, a sociabilidade é sempre comprometida. Nos casos mais severos, a linguagem pode estar afetada ou até mesmo ausente, o que traz prejuízos importantes para a comunicação do indivíduo quando não desenvolve a fala. Nos casos mais moderados, pode haver uma interação com outras pessoas, porém geralmente é restrita, passiva e acontece mediante grande esforço. Autistas relatam que se sentem cansados ao ter que se relacionar com o mundo ao seu redor e manter um simples diálogo com alguém, pois seu processamento de informações no cérebro é mais lento e funciona de maneira diferente de um neurotípico. *

O Autismo afeta cerca de 1% da população, um para cada 88 indivíduos em média, sendo pelo menos quatro vezes mais freqüente em meninos do que em meninas, e no caso das meninas a manifestação do quadro costuma ser mais grave em função de aspectos genéticos. Metade desse público apresenta deficiência mental associada (baixo QI) o que dificulta a aprendizagem pedagógica formal e as tarefas da vida diária. Já no caso de autistas de alto funcionamento (QI acima da média) a principal dificuldade é a interação social e a adaptação com mudanças no dia a dia.

O diagnóstico é feito a partir do relato dos pais e da observação clínica, ou seja, pela manifestação dessas características no desenvolvimento do sujeito. Nos países mais desenvolvidos o diagnóstico do TEA já é feito nos primeiros meses de vida, o que no Brasil ainda há um atraso nesse sentido, pois a maioria dos especialistas ainda avaliam os riscos de um bebê vir a desenvolver o TEA e não atribuem o diagnóstico nos primeiros meses, o que é uma pena se levarmos em conta o tempo que essa criança perde em termos de estimulação precoce e sensorial. Isso faz toda a diferença nas possibilidades futuras e no prognóstico, uma vez que a plasticidade cerebral é muito maior nos primeiros meses de vida, a estimulação adequada do bebê nesse período fará toda a diferença na aquisição das habilidades sociais, de comunicação e de comportamentos mais apropriados que essa criança poderá vir a desenvolver.

E se o diagnóstico precoce é tão importante para favorecer o desenvolvimento emocional e neurológico dessa pessoa, como é que nós, pais, mães, familiares, cuidadores e profissionais da área da saúde podemos identificar os primeiros sinais do TEA?

Em vista dessa condição genética, o espectro está presente deste a concepção da vida uterina do bebê, porém só se torna possível identificar os primeiros sinais através do comportamento e da interação dessa criança com os pais já nos primeiros meses de vida. A comunicação não verbal é uma ferramenta poderosa para observar o desenvolvimento do bebê. A criança deve estabelecer a interação social primária desde que nasce respondendo institivamente as trocas afetivas com a mãe. O bebê deve prestar atenção na voz, no toque e nas carícias dos pais. Procure responder as seguintes perguntas: “De que forma essa criança demonstra seus instintos de fome, sono, desconforto, frio e dor?”,“De que forma ele expressa suas necessidades e desejos?” Fique atento ao modo como essa criança olha para os objetos ao seu redor. Pense como é o jeito de pedir, agir e reagir dessa criança quando lhe oferecem algum estímulo visual, auditivo ou sensorial? Através da observação do vínculo da mãe e do bebê já é possível se chegar a um diagnóstico precoce, pois a criança com TEA tem o olhar “perdido”, demonstra incapacidade para encarar a mãe, não presta atenção nos estímulos propostos pelos pais e tem foco em determinados objetos de seu interesse. Em vista dessa condição, atualmente utiliza-se o Eye Tracking, um teste de acompanhamento do movimento ocular da criança para avaliar o TEA aos 2 meses de idade. As falhas gestuais também é uma forma de comunicação não verbal presente desde os primeiros meses de vida no caso da criança com TEA.

Algumas noções e reações já devem estar constituídas em torno dos 8 meses de idade, tais como a criança reconhecer a mãe, o pai e pessoas de sua referência. Nessa fase a criança estranha quem não é do seu convívio diário, demonstrando contrariedade através do choro para ir no colo de estranhos. No caso de um bebê autista, é bem provável que ele aceite ir no colo de qualquer pessoa sem expressar nenhum desconforto ou medo, demonstrando não diferenciar as pessoas. A adaptação dessas crianças costuma ser mais difícil no que se refere a mudanças na rotina de um bebê, como por exemplo no caso da transição de alimentos líquidos para sólidos, podendo o bebê autista ter mais dificuldade para aceitar a troca do leite materno.

É possível identificar uma apatia nas suas reações e a ausência de respostas aos estímulos propostos no caso da criança com TEA. Os pais costumam relatar que o bebê parece surdo, apesar dos exames audiométricos estarem normais, justamente por que o bebê não estabelece trocas afetivas e instintivas com a mãe e demais cuidadores. Por outro lado, a inquietação dessa criança pode ser constante e acompanhada de um choro ininterrupto e desmotivado, não estando relacionado com os acontecimentos do mundo externo.

A partir de um ano, até os dois anos e meio, a criança já vem mostrando os sinais mais evidentes do TEA. Nessa fase a criança pode demonstrar o desconforto com o toque, reagir de maneira hipersensível ao contato de outras pessoas, a textura de alguns alimentos e aos sons mais elevados, tapando os ouvidos ou não querendo permanecer em locais barulhentos, pois a criança autista se comporta como se seus sentidos estivessem afetados. Um sinal bem característico no desenvolvimento dessas crianças autistas é ela não reproduzir sons ou não vocalizar alguns fonemas como outras crianças dessa idade fazem para tentar falar e se comunicar. A ausência ou o atraso na fala pode ser um sinal bem importante do TEA, pois essas crianças agem como se não estivessem ouvindo as solicitações dos pais. Essa é uma angústia bem comum para quem sofre do transtorno por não conseguir expressar através de sons, palavras, gestos ou comportamento as suas necessidades e os seis sentimentos, e da mesma forma demonstra não compreender o que é esperado por parte delas, gerando muita aflição nessa dificuldade de comunicação na criança e seus familiares.

O movimento estereotipado do corpo também é um sinal que pode estar presente auxiliando na identificação do transtorno, pois é comum o balanço do tronco, cabeça e o maneirismo nas mãos. Desde que nascem, o interesse dessas crianças é restrito a alguns objetos e assuntos da sua preferência, e assim permanece sendo nas etapas posteriores do desenvolvimento, sendo comum a fixação por movimentos circulares de alguns objetos, como as rodas de um carro, o movimento de um trem de brinquedo ou as hélices de um ventilador.

O transtorno não apresenta nenhuma caraterística física visível e em muitos casos como vimos anteriormente também não aparece a alteração neurológica nos exames, sendo necessário contar com a percepção dos pais e especialistas quanto ao desenvolvimento emocional dessa criança e a qualidade dos vínculos. Algumas crianças com certo retraimento social podem ser vistas como envergonhadas, tímidas ou introvertidas, precisam manter uma rotina rígida, não se adaptam as mudanças, não demonstram interesse por situações novas, desorganizam-se diante de lugares e hábitos diferentes em função do desenvolvimento atípico do cérebro e processamento mais lento das informações. Esses casos mais leves da manifestação do transtorno podem dificultar ainda mais o diagnóstico, pois são crianças que não costumam demonstrar o que sentem, dor ou sofrimento. Essas alterações podem não ser significativas e passarem despercebidas, trazendo muitas dúvidas aos pais, sendo importante contar com a avaliação criteriosa de uma equipe multidisciplinar.

Quanto antes esses sinais de autismo forem identificados e o processamento de informações dessa criança compreendido, mais ela poderá ser estimulada e se beneficiar do tratamento. A criança com TEA aprende de forma diferente de uma criança neurotípica e poderá adquirir maiores ganhos através da Psicoterapia Cognitiva Comportamental, da Ambiento Terapia, da Terapia Ocupacional e da Fonoaudiologia, visando promover a inclusão dessa criança na família e na sociedade, desenvolver a autonomia nas atividades de vida diária (AVD`s), o treino de habilidades sociais, a aquisição da comunicação e o progresso nas relações afetivas.

neurotípico.* refere-se a indivíduos que não apresentam distúrbios significativos no funcionamento psíquico.

Por Márcia Moraes – Psicóloga da Psicotér 

 


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Meu parente está doente. Como posso ajudar sem ficar doente junto?

Você tem se preocupado demais com o seu filho ou marido? Sua sobrinha tem apresentado algum comportamento diferente durante o passar dos dias e você não sabe mais o que fazer para ajudar? Sente que já fez tudo o que podia e parece que não existe mais solução?

Muitos de nós já tivemos ou temos um familiar que está passando por problemas. A pessoa se sente mal, cansada, estressada, sobrecarregada com o trabalho ou estudos. Por vezes chora, fica triste, reclama que o coração acelera, se sente nervosa. Estar nestas condições – algumas vezes – é normal, dependendo do que a pessoa se propôs a fazer da vida e dos seus objetivos. Porém, quando ela passa muito tempo com esses sintomas, significa que algo não está bem, que está com algum sofrimento emocional.

Ver um familiar sofrendo nos aflige. Dá-nos a sensação de impotência, ficamos angustiados tentando achar um meio de ajudar e parece que a pessoa não reage. Ver um familiar sofrer gera frustração e acaba refletindo negativamente em nós e nos demais familiares que moram com a pessoa. Começamos a nos questionar: como pode uma pessoa que antes era cheia de vida e alegre estar assim? Tento ajudar, mas nada do que eu falo adianta, o que mais posso fazer?

Se este familiar for um filho, por exemplo, alguns pais começam a se questionar onde foi que erraram na criação, se sentem culpados e tentam justificar as dores emocionais do filho com algo que fizeram de errado. Estes pensamentos e sentimentos que ocorrem frente ao problema podem desestabilizar a família que, se não procurar recurso adequado para auxiliar o familiar, pode agravar a situação e gerar maiores sofrimentos, não só para quem já está sofrendo, mas para os demais membros da família.

O primeiro passo é entender que não existe um fator único que explique o motivo de o familiar ter desenvolvido o transtorno; o segundo passo é se tranquilizar e entender que não há um culpado. Um transtorno pode ocorrer por diversos fatores que incluem fatores genéticos, biológicos, alguma desregulação hormonal, a má interpretação de algumas emoções vividas durante a vida, além do estresse. Portanto, não podemos explicar um sofrimento emocional de um familiar culpando-nos.

Ao invés de abraçar a culpa, lembre-se: você é essencial no processo de melhora do familiar. Ao se deparar com o sofrimento dele, ouça e entenda o que se passa com ele, o que está sentindo. Evite criticar, superproteger e vá de encontro com sentimentos positivos de apoio, incentivo, compreensão, tolerância, valorização e confiança.

A família faz parte da efetividade do tratamento e do processo de cura. Auxilie seu familiar na procura de psicoterapia, ofereça-se para ir junto, respeite o seu sofrimento, não o culpe e reconheça que ele não está assim porque quer e que não é de uma hora para outra que ele vai superar o problema. Mudando o modo como você vê o problema do seu familiar e como irá enfrenta-lo junto com ele, com certeza seu apoio irá contribuir positivamente para o processo de melhora e cura do seu familiar. Além disso, você também se sentirá muito melhor.

Se identificou ou conhece alguém que se encaixe no comportamento descrito por este texto e que precisa da ajuda de um psicoterapeuta? Entre em contato conosco através desse link para agendar uma Avaliação Gratuita Online ou Presencial com uma Psicóloga em Porto Alegre. Descubra os benefícios que a Terapia Cognitivo-Comportamental pode fazer por você e pela sua família!

Não Dê Um Tablet Para o Seu Filho!

Você não consegue mais impor limite para os seus filhos? “Vai brincar no celular/tablet” se tornou uma frase comum no seu relacionamento com eles? Os passeios ao ar livre foram substituídos por compras no shopping?

Entenda o perigo de criar os seus filhos em uma geração que já nasceu conectada e em um mundo tão globalizado.

Primeiramente, se você é o tipo de pai citado no início desse texto, saiba que esses hábitos são o maior crime que você pode estar cometendo com os seus filhos, não só na fase infantil, mas também acarretando problemas para toda a vida adulta. Devemos estar mais próximos dos nossos filhos, nos preocupar com as suas necessidades, incentivar atividades ao ar livre, despertar o interesse pela leitura e o contato social. Se não, estaremos projetando ao mundo crianças com diversos traumas e carências, seja de afeto, medos, timidez excessiva, dificuldades de aprendizado, ansiosas, preguiçosas e desmotivadas.

Precisamos conhecer os nossos filhos, conviver com eles. É difícil dizer “não” ou frustrar alguém que você não tenha intimidade, e por isso cada vez mais temos visto crianças dominando seus pais até que consigam alguma resposta positiva. E o “não” é importante para a educação infantil, as crianças enlouquecem quando o encaram, fazendo birra, chorando e causando aos pais “vergonha pública”, o que acaba resultando em promessas posteriores, sempre em troca de algo, extremamente prejudiciais para o desenvolvimento infantil.

O uso excessivo das tecnologias tira as nossas crianças do convívio com o outro, fazendo com que mergulhem em uma distração sem fim, as removendo do momento presente, dos relacionamentos e do afeto, não preservando momentos fundamentais.

Ou seja, antes de deixar seus filhos tão presos ao mundo virtual, experimente fazer com que eles sintam tédio, e com isso inventem coisas para fazer, estimulando a criatividade. Esse processo de ação é fundamental para uma boa construção de personalidade. Além disso, utilize o seu tempo livre para ingressar nas aventuras do universo tão paralelo que só as crianças têm, aproveitando o tempo em família e descobrindo cada traço da personalidade única deles.

Geralmente, os pais ou professores encaminham a criança para um acompanhamento psicoterápico quando observam algum comportamento não usual que os preocupa, como bater, morder, chutar ou empurrar pessoas, destruir objetos, roubar e mentir em excesso. Mas, a Terapia também pode ser utilizada como forma de prevenção, servindo como forma de orientação para os pais e filhos, proporcionando um momento de contato e estabelecendo um vínculo estruturado para que essa criança possa se desenvolver sem deficiências.

Seus filhos já chegaram em um estágio no qual precisam recorrer a terapia? Identificou neles ou na sua forma de criação o comportamento descrito por este texto e precisa da ajuda de um psicoterapeuta? Entre em contato conosco através desse link para agendar uma Avaliação Gratuita Online ou Presencial com uma Psicóloga em Porto Alegre (Zona Norte ou Zona Sul) para a Terapia Infantil.